Disputa por fazenda em Novo Mundo envolve 74 famílias e pedidos de mineração

Disputa por fazenda em Novo Mundo envolve 74 famílias e pedidos de mineração

Uma fazenda de aproximadamente 4,3 mil hectares, localizada em Novo Mundo, no norte de Mato Grosso, está no centro de uma complexa disputa que envolve reforma agrária e interesses na exploração de ouro. A propriedade, reconhecida pela Justiça Federal como pertencente à União, enfrenta pedidos de exploração mineral que abrangem praticamente toda a área.

Atualmente, 74 famílias aguardam a implantação de um assentamento que foi criado há mais de 20 anos. Segundo o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), análises cartográficas identificaram requerimentos de mineração de ouro que ocupam cerca de 4.346 hectares, área equivalente à da fazenda.

Em resposta à situação, o Incra informou que comunicou a Agência Nacional de Mineração (ANM), o Ministério Público Federal (MPF) e a Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema). O órgão também adotou medidas judiciais e solicitou à Sema a suspensão de licenças relacionadas à área.

Famílias aguardam por assentamento desde 2002

O Projeto de Desenvolvimento Sustentável de Novo Mundo foi criado pelo Incra em 2002, com o objetivo de destinar terras à reforma agrária. Apesar disso, mais de 20 anos depois, o assentamento ainda não foi efetivamente implantado. Em 2025, o Incra divulgou uma relação com 74 famílias selecionadas para ocupar lotes no projeto, mas a seleção não garantiu a entrada imediata dos beneficiários na propriedade.

Assentamento está no centro de uma disputa que envolve reforma agrária e interesses na exploração de ouro. - Foto: TVCA
Assentamento está no centro de uma disputa que envolve reforma agrária e interesses na exploração de ouro. – Foto: TVCA

Parte dessas famílias reside no Acampamento União Cinco Estrelas, onde enfrentam dificuldades relacionadas ao acesso à água e à infraestrutura básica. Os moradores relatam que o caminhão-pipa responsável pelo abastecimento não leva água ao local há mais de uma semana, o que compromete não apenas o consumo, mas também a criação de animais e as plantações.

Justiça determina desocupação de 2 mil hectares

Em abril de 2026, a Justiça Federal determinou a desocupação de 2 mil hectares da fazenda, conforme o plano de ocupação elaborado pelo Incra. Um prazo de 30 dias foi inicialmente estabelecido para o cumprimento da determinação, mas posteriormente foi ampliado até a última semana de outubro, com possibilidade de nova prorrogação por decisão judicial.

Essa medida faz parte do processo de destinação da propriedade à reforma agrária, embora não signifique, por si só, a implantação definitiva do assentamento.

Questões trabalhistas e de exploração mineral

A fazenda possui um histórico de violações trabalhistas, que também está ligado à sua trajetória. A identificação de requerimentos minerários sobre praticamente toda a fazenda acrescentou uma nova questão ao processo de regularização fundiária.

Links e documentos citados

Fonte: primeirapagina.com.br