Os áudios sobre envenenamento da água de comunidades indígenas em Tacuru foram classificados como um “mal-entendido” pelo prefeito Rogério Torquetti (PSDB). Em vídeo publicado nas redes sociais na tarde de segunda-feira (26), ele comentou gravações atribuídas a servidores da prefeitura.
Nas mensagens de voz, homens fazem declarações ofensivas contra indígenas e mencionam a possibilidade de colocar veneno na água. O caso foi denunciado pelo vereador e cacique Ivan Montiel (PSDB), que afirmou ter identificado os envolvidos e que pretende adotar medidas nas áreas criminal e cível.
Em uma publicação, Torquetti aparece ao lado de Zuleine, na Aldeia Sassoró, usando um boné com o número 22 e tomando tereré. “Estou aqui com a minha amiga tomando um tereré e não tem veneno na água”, declarou.
Prefeito diz que servidores se expressaram mal
O prefeito reconheceu que houve divergência durante a eleição, mas afirmou que as falas dos servidores foram resultado de uma expressão inadequada. Segundo ele, os envolvidos teriam se manifestado no domingo (25), em um momento de euforia e possivelmente após consumo de álcool.
“Eles se expressaram mal ontem [domingo] no momento de euforia, talvez um pouco de álcool por conta de não saber perder e quero dizer que nos perdoe e perdoem quem gravou o áudio se de certa forma ofendeu vocês”, disse Torquetti.
O prefeito não esclareceu se pretende exonerar os envolvidos. Ele também não atendeu às ligações do Jornal Midiamax para comentar o caso. O espaço permanece aberto para posicionamento.
O que aparece nas gravações
Em um dos áudios, um homem usa termos pejorativos para se referir aos indígenas e reclama de ações destinadas à comunidade. Em outro trecho, uma voz afirma: “Já falei que tem que colocar veneno na água”.
A autenticidade das gravações e as circunstâncias das declarações ainda deverão ser apuradas pelas autoridades. De acordo com Ivan Montiel, os áudios foram recebidos de terceiros e os envolvidos seriam servidores da Prefeitura de Tacuru.
Denúncias ocorreram após segundo turno
As denúncias surgiram após o segundo turno das eleições presidenciais, realizado no domingo (25). Tacuru, município de Mato Grosso do Sul, foi o primeiro do estado a concluir a apuração, com 100% das 22 seções totalizadas às 18h40.
O município registrou 5.234 votos, com 74,74% de comparecimento entre 7.003 eleitores aptos. Luiz Inácio Lula da Silva (PT) recebeu 62,19% dos votos válidos, enquanto Flávio Bolsonaro (PL) teve 37,81%.
Apesar da proximidade temporal entre a votação e as denúncias, não havia, nas informações apresentadas, comprovação de que as ameaças tenham sido motivadas diretamente pelo resultado eleitoral ou pela escolha política dos indígenas.
Apib informa acionamento de órgãos federais
A Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib) informou que acionou órgãos federais por meio de sua assessoria jurídica após denúncias de violência contra povos indígenas relacionadas ao segundo turno das eleições presidenciais de 2026.
A entidade citou ameaças de morte, manifestações racistas e relatos de possível envenenamento da água em comunidades indígenas de Tacuru e Nioaque. Também mencionou assassinatos em Naviraí e atropelamentos em Coronel Sapucaia.
Segundo a Apib, foram encaminhados ofício e representação criminal ao Ministério Público Federal, à Polícia Federal e a órgãos do Governo Federal, incluindo os ministérios da Justiça e Segurança Pública, dos Povos Indígenas e dos Direitos Humanos e da Cidadania.
Links e documentos citados
Fonte: midiamax.com.br

