Dólar recua 0,97% e fecha a R$ 5,3506 após alta ligada à eleição

Dólar recua 0,97% e fecha a R$ 5,3506 após alta ligada à eleição

O dólar caiu 0,97% frente ao real nesta terça-feira (27) e encerrou a sessão cotado a R$ 5,3506. O movimento foi interpretado como uma correção após a alta de 8,21% registrada na segunda-feira, atribuída à surpresa com a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

A moeda americana chegou a atingir R$ 5,3078 pela manhã e ficou próxima de R$ 5,34 durante a tarde. A queda ocorreu na contramão do comportamento do dólar no exterior.

Operadores avaliaram que parte relevante da alta anterior esteve relacionada ao ajuste de posições de investidores que haviam apostado em uma vitória de Flávio Bolsonaro. Também aumentou a percepção de risco sobre a política fiscal do novo mandato.

Mercado avalia próximos passos do governo

Segundo Bruno Perottoni, diretor de tesouraria do Braza Bank, os preços dos ativos locais já incorporaram a reeleição no pregão de segunda-feira. Para ele, o mercado busca uma acomodação e espera mudanças na política fiscal, em um cenário de forte oposição no Senado.

O analista de câmbio Michael Pfister, do Commerzbank, considera possível a continuidade da correção nos próximos dias, enquanto os investidores avaliam o resultado da eleição. No médio prazo, ele aponta como pontos centrais a capacidade de implementar ajustes fiscais considerados críveis e realizar reformas. O banco mantém a projeção de dólar a R$ 5,20 até o fim do ano.

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou nesta terça-feira que o governo trabalha na possibilidade de propor um projeto de lei complementar para estabelecer juridicamente a busca pelo centro da meta de resultado primário.

Desempenho do dólar e cenário externo

Mesmo com a queda da sessão, o dólar acumulava alta de 3,39% em outubro. No ano, porém, a moeda recuava 2,52% ante o real. Entre as divisas latino-americanas, apenas o real e o peso colombiano apresentavam desempenho positivo em 2026.

Estrategistas de câmbio do banco americano BBH avaliam que Lula precisará do apoio de partidos de centro para aprovar projetos diante de um Congresso de perfil mais conservador, o que pode limitar o espaço para uma expansão fiscal.

No exterior, o índice DXY, que acompanha o dólar em relação a uma cesta de seis moedas fortes, subia 0,35% por volta das 17h, aos 102,311 pontos. A expectativa majoritária era de que o Federal Reserve anunciasse na quarta-feira (28) a manutenção dos juros na faixa atual, mas sinalizasse a possibilidade de voltar a apertar a política monetária em dezembro.

Fonte: midiamax.com.br