Circuit breaker volta ao mercado após resultado das eleições

Circuit breaker volta ao mercado após resultado das eleições

O circuit breaker voltou a ser acionado na Bolsa após o resultado das eleições presidenciais, em meio à forte volatilidade nos mercados financeiros. O dólar ganhou força, o Ibovespa registrou quedas expressivas e as expectativas sobre a economia brasileira passaram a considerar o novo cenário político.

O mecanismo interrompe temporariamente as negociações da B3 quando ocorre uma queda muito acentuada em um único dia. A medida busca conter movimentos de pânico e oferecer tempo para que investidores analisem as informações antes da retomada dos negócios.

Para investidores de longo prazo, levantamentos sobre episódios anteriores indicam que os períodos de acionamento do circuit breaker também foram acompanhados por oportunidades de entrada. Desde 1998, segundo os dados apresentados, o Ibovespa teve retorno positivo nos 12 meses seguintes a todos os episódios registrados.

Boletim Focus revisa projeções para 2026

O Boletim Focus divulgado pelo Banco Central reduziu a projeção de inflação de 2026, medida pelo IPCA, de 5,22% para 5,19%. A estimativa de crescimento do PIB passou de 1,83% para 1,80%, enquanto a previsão para o dólar no encerramento do ano caiu de R$ 5,13 para R$ 5,05.

A projeção para a Selic permaneceu em 13,25% ao ano. Como os dados foram coletados antes do segundo turno das eleições, a próxima edição do relatório poderá refletir com mais clareza os ajustes nas expectativas após o resultado das urnas.

Inadimplência chega a 84,2 milhões de pessoas

O Mapa da Inadimplência da Serasa apontou que mais de 84,2 milhões de brasileiros tinham dívidas em atraso em setembro, o equivalente a 51% da população adulta. O total das dívidas chegou a R$ 597,4 bilhões, alta de 0,9% em relação ao mês anterior.

O valor médio devido por consumidor foi de R$ 7.093,83, cerca de 4,4 salários-mínimos. Dívidas bancárias e de cartão de crédito representaram aproximadamente 27% do total e ficaram à frente de despesas básicas como água, energia elétrica e telefonia.

Política fiscal entra no centro das expectativas

A reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva para um quarto mandato presidencial também passou a influenciar as expectativas de parte do mercado e do empresariado. Entre os principais pontos de atenção estão a condução da política econômica, a preservação do arcabouço fiscal e o controle do crescimento das despesas públicas.

A percepção de risco fiscal interfere em variáveis como inflação, juros, câmbio e confiança dos investidores. Por isso, o comportamento dos mercados nas próximas semanas deverá acompanhar a busca por sinais sobre a direção da política econômica e o compromisso do governo com a estabilidade das contas públicas.

Em um cenário de oscilações intensas, a orientação apresentada é evitar decisões precipitadas e manter uma estratégia compatível com os objetivos de longo prazo. A diversificação dos investimentos, incluindo exposição internacional, é apontada como uma alternativa para atravessar períodos de maior incerteza.

A análise é de Rafael Andrade, assessor de investimentos e especialista em planejamento financeiro, ligado à @blue3investimentos.

Fonte: Atualiza.MS.

Fonte: atualizams.com.br