O Conselho de Ética da Câmara dos Deputados decidiu, nesta terça-feira (11), por 10 votos a 5, pela continuidade do processo contra a deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP) por suposta quebra de decoro parlamentar.
A representação, apresentada em março de 2026 pelo partido Missão, questiona declarações feitas pela parlamentar nas redes sociais após sua eleição para a presidência da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher.
Erika Hilton é a primeira mulher transexual a ocupar a presidência do colegiado, uma eleição que gerou críticas de parlamentares da oposição. Em resposta às críticas, a deputada se manifestou em 11 de março, afirmando não estar preocupada e utilizando termos considerados ofensivos pelo partido que fez a representação.
O partido Missão argumenta que a manifestação da deputada é incompatível com o decoro parlamentar e pede a perda do mandato de Erika Hilton. Durante a reunião, aliados da deputada afirmaram que o processo é uma “revanche” pela sua eleição à Comissão da Mulher, destacando um viés preconceituoso.
O relator do caso, deputado Cabo Gilberto Silva (PL-PB), que é líder da oposição, enfatizou que seu voto nesta fase foi apenas pela admissibilidade do processo e que qualquer punição dependerá de uma decisão futura do Conselho.
Erika Hilton não esteve presente durante a reunião, e sua defesa foi apresentada pela deputada Professora Luciene Cavalcante (PSOL-SP). Na defesa protocolada em 26 de junho, Hilton pediu a suspeição de Cabo Gilberto como relator, mas o pedido não foi aceito pelo presidente do Conselho, deputado Fábio Schiochet (União-SC).
A defesa argumentou que o relator é autor de um projeto que estabelece que a Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher deve ser ocupada apenas por deputadas do “sexo feminino”, demonstrando que Cabo Gilberto já havia se manifestado contra a legitimidade de Hilton para presidir a comissão antes de ser escolhido como relator.
Com a aprovação da admissibilidade, o processo seguirá em tramitação no Conselho de Ética. A deputada será notificada novamente para apresentar sua defesa por escrito, e provas e testemunhas poderão ser analisadas ao longo do processo.
Fonte: fatosregionais.net.br


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