O advogado Amilton Ferreira de Almeida foi solto por decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ) após permanecer 20 dias preso por suspeita de vazar informações da operação Infiltrados, que teve entre os alvos o delegado Hoffman D’Ávilla Cândido.
A decisão que concedeu o habeas corpus foi tomada pelo ministro Reynaldo Soares da Fonseca na noite de segunda-feira (19). Amilton havia sido preso no dia 29 de setembro e deixou o presídio após a determinação judicial.
Segundo o ministro, o crime de embaraço à investigação de organização criminosa não permite prisão temporária quando não há demonstração concreta de risco às apurações. A decisão também destacou que a prisão temporária só pode ser aplicada nos casos previstos no art. 1º, III, da Lei n. 7.960/1989, desde que sua necessidade seja comprovada.
Suspeita de vazamento
A prisão do advogado ocorreu na operação Obstructio, que apurou o vazamento de informações sigilosas durante a deflagração da primeira fase da operação Infiltrados, realizada no dia 24 de setembro.
A suspeita apresentada na investigação é de que Amilton teria repassado detalhes para inviabilizar ou dificultar o cumprimento de medidas judiciais determinadas na operação. O caso também foi acompanhado pela Comissão de Defesa e Assistência das prerrogativas dos advogados.
A Ordem dos Advogados do Brasil em Mato Grosso do Sul (OAB/MS) informou que adotaria medidas disciplinares diante das acusações.
Operação Infiltrados
A operação Infiltrados cumpriu 24 mandados de prisão preventiva, dois de prisão temporária e 38 mandados de busca e apreensão em Campo Grande, Dourados e Terenos. Entre os alvos estava Hoffman D’Ávilla Cândido, ex-delegado da Delegacia Especializada de Repressão ao Narcotráfico (Denar).
Conforme o Ministério Público, as investigações apontaram a participação de policiais em um esquema de desvio de entorpecentes, principalmente cocaína. Em alguns casos, parte da droga apreendida teria sido omitida dos registros oficiais; em outros, os entorpecentes teriam sido retirados de depósitos de delegacias e repassados a traficantes ligados à organização criminosa.
As apurações começaram em outubro de 2025, a partir de provas obtidas nas operações Traquetos e Blindspot. Segundo a reportagem, há indícios de que o esquema atuava desde 2021.
Leia também: Advogado é preso por vazar informações de operação; investigação encontra rastros de esquema entre policiais e traficantes; e delegado alvo de prisão se apresenta à Corregedoria.
Links e documentos citados
- Superior Tribunal de Justiça
- Campo Grande
- Polícia Civil
- STJ (Superior Tribunal de Justiça)
Fonte: primeirapagina.com.br

