A intensificação do fenômeno El Niño está deixando o agronegócio de Mato Grosso do Sul em estado de alerta. Segundo estudos realizados pelo Ministério da Agricultura e pela Embrapa, tanto a escassez quanto o excesso de chuvas, bem como temperaturas elevadas e eventos climáticos extremos, podem impactar severamente as safras de 2026/2027.
Impactos nas principais culturas
As lavouras no sul do Estado, especialmente nas regiões de Maracaju e Aral Moreira, são consideradas as mais vulneráveis. O atraso das chuvas pode afetar a semeadura, enquanto chuvas intensas durante a colheita aumentam o risco de apodrecimento e perda de qualidade dos produtos.
A Famasul estima que a safra de soja para 2026/2027 alcance 15,3 milhões de toneladas, representando uma diminuição de 13,2% em relação ao ciclo anterior. A produtividade média projetada é de 52,4 sacas por hectare, mesmo com um aumento de 5,5% na área cultivada, que deve chegar a 4,87 milhões de hectares.
Com o plantio de soja atingindo 18% da área monitorada até o início de outubro, o avanço é maior no sul do Estado, enquanto a região norte ainda aguarda a regularização das chuvas. O plantio do algodão está previsto para dezembro, mas os produtores estão atentos à possibilidade de estiagem em novembro e interrupções nas chuvas a partir de março de 2027.

Consequências para a pecuária e florestas
Na pecuária, a superabundância de chuvas pode causar encharcamento das pastagens, erosão do solo e dificultar o manejo dos animais. Os produtores são aconselhados a monitorar as condições da chuva, forragem e do rebanho.
Na região leste de Mato Grosso do Sul, onde existem extensas áreas de eucalipto para a indústria de celulose, o quadro é igualmente preocupante. As mudas recém-plantadas são as mais suscetíveis à falta de água, o que pode comprometer seu crescimento e aumentar a mortalidade.
O estresse hídrico em árvores adultas pode desacelerar o desenvolvimento dos troncos, impactando a produtividade futura da madeira. Além disso, o excesso de chuvas pode dificultar a absorção de nutrientes no solo e causar erosão, enquanto períodos prolongados sem chuva aumentam o risco de incêndios florestais.
Atenção redobrada nas regiões afetadas
Cidades como Três Lagoas, Brasilândia, Água Clara, Ribas do Rio Pardo, Inocência e Bataguassu, que possuem grandes plantações e investimentos na cadeia florestal, devem redobrar a atenção. Os impactos das condições climáticas dependerão da distribuição das chuvas, pois temporais concentrados em dias muito quentes e secos podem gerar prejuízos significativos.
Links e documentos citados
- El Niño ameaça lavouras e acende alerta para florestas de eucalipto em Mato Grosso do Sul
- Atualiza.MS
Fonte: atualizams.com.br

