Eleitores indígenas da aldeia Barra do São Lourenço enfrentaram uma longa viagem de barco para votar no segundo turno das Eleições 2026, neste domingo (25), em Corumbá. As primeiras embarcações chegaram ao Porto Geral por volta das 12h35, após deixarem a comunidade por volta das 5h.
Segundo o cacique Negré, pelo menos 34 dos cerca de 65 eleitores estimados na comunidade não conseguiram sair do território para participar da votação. Quatro embarcações fizeram o trajeto, com apoio de moradores e carona da Brigada do Instituto Homem Pantaneiro (IHP).
Uma das embarcações furou durante o percurso e precisou ser reparada, atrasando a chegada. Nove moradores já estavam em Corumbá à espera dos demais, enquanto outros dez deixaram a aldeia para votar.
Falta de transporte dificultou deslocamento
A aldeia fica a cerca de 260 quilômetros da área urbana de Corumbá, e o deslocamento depende de barcos, combustível e planejamento. Negré afirmou que recebeu contato do Exército sobre uma possível ajuda logística, mas disse que o apoio não se concretizou.
O cacique também relatou que a Funai entrou em contato próximo à votação com a proposta de enviar combustível, mas não havia quem realizasse o transporte até a aldeia.
Na região do Uberaba, outra comunidade pantaneira, apenas quatro eleitores conseguiram embarcar, conforme o relato do cacique. No primeiro turno, os moradores haviam se organizado com antecedência, mas, no segundo, enfrentaram falta de combustível e de estrutura para o transporte.
Prefeitura diz não ter estrutura
Em resposta a uma solicitação da Defensoria Pública da União, a Prefeitura de Corumbá informou que não tinha condições operacionais para garantir o deslocamento de eleitores das aldeias Uberaba e Barra do São Lourenço.
Em ofício encaminhado em 21 de outubro, o município afirmou não possuir embarcações ou veículos adequados, com capacidade, tripulação e condições de segurança para fazer o transporte de ida e volta. A prefeitura também informou que não mantém serviço regular para essas comunidades.
A administração municipal defendeu uma articulação entre a Justiça Eleitoral, a Funai, órgãos federais e o Governo do Estado. Segundo a prefeitura, o município pode contribuir com informações e apoio administrativo, mas não tem estrutura para assegurar o transporte.
Exército afirma que não recebeu pedido
Em resposta à reportagem, o Comando da 18ª Brigada de Infantaria de Pantanal informou que não recebeu solicitação para realizar o transporte de eleitores.
Links e documentos citados
Fonte: primeirapagina.com.br

