Falhas de segurança na plataforma SentinelX, usada pelo programa Smart Sampa, da Prefeitura de São Paulo, teriam permitido que usuários com credenciais básicas acessassem imagens de câmeras de Campo Grande e dados de funcionários públicos de Mato Grosso do Sul. O caso foi revelado em reportagem da Folha de S. Paulo.
Segundo o jornal, um usuário sem funções de administrador ou gestor estratégico conseguiu visualizar uma câmera de leitura de placas a partir de um login em São Paulo. A imagem mostra o trânsito de duas pessoas pela Avenida Mato Grosso, em Campo Grande, perto do Parque das Nações Indígenas, no Jardim Veraneio, às 17h43 do dia 20 de setembro de 2026.
Acesso a dados de funcionário público
Outra captura de tela apresentada pela reportagem indica acesso ao histórico de atividades de um funcionário público de Mato Grosso do Sul na plataforma. O conteúdo permitia consultar pesquisas realizadas, câmeras acessadas, origem dos acessos e horários das atividades.
As possíveis vulnerabilidades foram identificadas na SentinelX, plataforma que serve de base para o Smart Sampa. A Folha informou ter ouvido dois especialistas em segurança digital, que afirmaram ter comprovado as fragilidades, além de ter analisado quatro documentos que apontariam as mesmas falhas.

Possibilidade de rastrear veículos
Entre os problemas apontados está a possível falta de controle de acesso, que permitiria a usuários comuns consultar informações sigilosas sem as restrições esperadas. De acordo com a reportagem, números de registro funcional de servidores publicados em Diário Oficial poderiam ser usados como login e senha.
No caso das câmeras de leitura de placas, a falha poderia permitir que um invasor rastreasse veículos em tempo real.
Prefeituras e empresa foram procuradas
Procurada pela Folha de S. Paulo, a Prefeitura de São Paulo não respondeu especificamente aos novos indícios. A gestão Ricardo Nunes (MDB) reiterou nota anterior na qual afirma que “não há nenhuma fragilidade nos mecanismos de segurança da plataforma do Programa Smart Sampa”.
A SentinelX também foi procurada pela Folha, mas não respondeu. O Jornal Midiamax informou que aguarda manifestações da empresa e das prefeituras de São Paulo e Campo Grande. Ao município de Campo Grande, foram enviados questionamentos sobre a propriedade da câmera, possíveis comunicações de acessos indevidos, o uso da SentinelX e eventual compartilhamento de imagens ou dados de videomonitoramento.
Links e documentos citados
Fonte: midiamax.com.br

