A morte de um bebê de 8 meses em Campo Grande, na madrugada do dia 11 de outubro, foi registrada pela família como suspeita de negligência médica. Antes de morrer, a criança passou por três unidades de saúde: a UPA Universitário, o Hospital de Câncer Alfredo Abrão e o Hospital Regional.
A família procurou a Polícia Civil para registrar um boletim de ocorrência. O Ministério Público informou que vai apurar possíveis falhas na assistência médico-hospitalar prestada à criança.
Atendimentos antes da morte
Segundo o relato da mãe, Ana Maria Morel Insarralde, a bebê foi levada à UPA Universitário no dia 7 de outubro. Após receber uma receita e passar por raio-x, que teria apontado uma mancha no pulmão, a criança foi liberada.
No dia 10 de outubro, a bebê voltou à unidade com febre alta, vômitos e diarreia após o uso dos medicamentos. Depois de receber novas medicações e passar por exames laboratoriais, foi transferida para o Hospital de Câncer.
A família afirma que, durante a transferência, a médica responsável informou que os resultados dos exames haviam sido extraviados. Conforme o relato, os dados foram obtidos posteriormente pelos familiares.
No Hospital de Câncer, a criança apresentava sonolência e recebeu oxigênio. Após a aplicação de um medicamento, a mãe relatou que a bebê ficou com a boca amarelada e apresentou pontos escuros. O remédio foi suspenso depois que a família chamou a equipe de enfermagem.
O médico de plantão teria informado que o caso era grave e que seria necessária a transferência para uma unidade com UTI pediátrica. A bebê chegou ao Hospital Regional por volta das 18h30 e foi encaminhada à sala vermelha, onde foi entubada.
Ainda de acordo com a mãe, a equipe retirou o balão de oxigênio durante o deslocamento para o centro cirúrgico e teve dificuldade para conectar outro equipamento. A ventilação manual teria sido utilizada temporariamente. A criança passou por cirurgia e retornou à UTI.
A família relata que os médicos informaram a evolução para pneumonia, sangramento no pulmão, desidratação e anemia. Mesmo após receber sangue e adrenalina e passar por tentativas de reanimação, a bebê não resistiu.
Posicionamento do Hospital de Câncer
Em nota, o Hospital de Câncer Alfredo Abrão informou que a bebê foi internada no dia 10 de outubro, às 15h05, na ala pediátrica clínica não oncológica. Segundo a unidade, o setor foi criado em parceria com a prefeitura para ampliar o atendimento infantil.
O hospital afirmou que prestou os atendimentos necessários e que solicitou a transferência para o Hospital Regional às 17h20, diante da evolução do quadro. A mudança ocorreu por volta das 18h, para continuidade do tratamento em uma UTI pediátrica.
O Hospital de Câncer também informou que possui 24 leitos clínicos infantis, mas não conta com UTI pediátrica.
Links e documentos citados
Fonte: primeirapagina.com.br

