O neurocirurgião da Santa Casa de Campo Grande é alvo de uma investigação do Ministério Público do Trabalho (MPT) por supostas ameaças e agressões verbais contra mais de 50 técnicos de enfermagem do Centro Cirúrgico.
Relatos recebidos pelo MPT indicam que os profissionais de enfermagem foram submetidos a situações constrangedoras durante o trabalho, com comportamentos agressivos e tratamento hostil por parte do médico, que teria causado abalo psicológico entre a equipe.
Entre os relatos, alguns profissionais expressaram medo de realizar procedimentos ou participar de cirurgias em que o neurocirurgião estivesse presente. Um dos episódios investigados ocorreu em 31 de dezembro de 2025, quando um técnico de enfermagem foi ameaçado durante a entrega de um exame ao anestesista.
Detalhes da Investigação
Durante o procedimento, o neurocirurgião exigiu que o técnico utilizasse máscara, e ao receber a resposta de que o exame seria entregue a outro profissional, o médico teria chutado a porta e avançado em direção ao trabalhador, gritando e fazendo ameaças.
Outro caso mencionado no inquérito envolve um profissional de instrumentação de cirurgia que também teria sofrido agressões verbais. O MPT apurou que cerca de 50 trabalhadores podem ter sido afetados pelas atitudes do neurocirurgião.
O procurador responsável pelo caso, após ouvir testemunhas, declarou em despacho de 19 de março que considera comprovada a procedência da denúncia, mesmo sem o depoimento de uma testemunha convocada.
Tentativa de Acordo e Recusa
O MPT propôs um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) à Santa Casa, que incluía medidas para coibir o assédio moral e a criação de um canal para denúncias. O hospital também seria responsável pelo pagamento de R$ 300 mil por danos morais coletivos.
A Santa Casa, no entanto, recusou a proposta, alegando falta de acesso completo às provas e que a adesão ao TAC poderia prejudicar sua defesa. A instituição ainda mencionou dificuldades financeiras que poderiam impactar a continuidade dos serviços.
Após a recusa, o MPT decidiu que os autos permaneceriam em análise por 60 dias para a possível elaboração de uma Ação Civil Pública, podendo solicitar até R$ 1 milhão por danos morais coletivos, considerando a gravidade das denúncias.
Até a última atualização, em 11 de maio de 2026, não havia sido ajuizada a ação nem havia uma decisão judicial sobre as denúncias.
Fonte: fatosregionais.net.br

