O saneamento mudou a rotina das famílias da Aldeia Indígena Marçal de Souza, em Campo Grande. Antes da instalação das redes de água e esgoto, moradores precisavam caminhar até a Rua Marquês de Pombal para buscar água em baldes.

Criada em 1996, a comunidade reúne atualmente 612 habitantes, distribuídos em 147 casas e 233 famílias. O acesso à água canalizada e ao saneamento é apontado pelos pioneiros como um dos principais marcos do desenvolvimento do local.

A realidade da aldeia urbana contrasta com a escassez de água enfrentada por comunidades originárias no interior de Mato Grosso do Sul, como a Reserva Indígena de Dourados, citada em reportagem sobre obras para ampliar o abastecimento.

Moradores relembram busca por água
Marilda Mendes Santos vive na comunidade desde a fundação e recorda que precisava conciliar o trabalho como empregada doméstica com a busca por água para a própria casa. Segundo ela, eram necessários quatro tambores transportados em um carrinho de mão.

“Trabalhava o dia todo, enchia as vasilhas de água e vinha pra casa pra trabalhar mais um pouquinho”, relembra. Marilda conta que via água saindo da torneira na casa onde trabalhava, enquanto, em sua residência, o recurso precisava ser carregado em baldes, sob sol ou chuva.

Para a moradora, o serviço canalizado, operado pela concessionária Águas Guariroba, trouxe melhores condições para a criação dos filhos e netos.
Infraestrutura ajudou a dar estabilidade à comunidade
Alcides de Souza, de 75 anos, está entre os primeiros moradores da aldeia e vive no local há 33 anos. O aposentado, que trabalhou como armador na construção civil, lembra que as famílias começaram em acampamentos improvisados, sem água e com pouca estrutura.

“Naquela época não tinha água, não tinha nada, era barraco, chuva, frio. E a lida corrida, difícil”, afirma. De acordo com Alcides, havia apenas uma torneira na avenida, de onde os moradores levavam água em baldes até as casas.

A instalação das redes subterrâneas de água e esgoto, segundo ele, contribuiu para a permanência e a estabilidade das famílias na comunidade.

Água encanada reduziu dificuldades na infância
Gecilda Candelária, de 33 anos, cresceu na Aldeia Marçal de Souza e acompanhou as mudanças na infraestrutura. Mãe de dois filhos, de 13 e 10 anos, ela afirma que a falta de rede encanada exigia trabalho manual constante e expunha crianças a problemas relacionados à qualidade da água.

“Foi muito esforço também de cacique, atrás de um saneamento pra nós, de água potável limpa pra gente”, declara. Gecilda relata que muitas crianças adoeciam por causa da água e que hoje as famílias conseguem utilizá-la diretamente nas próprias casas.

A moradora também relaciona a chegada da infraestrutura à maior atenção com a limpeza das casas e à prevenção de problemas como a dengue.
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Fonte: midiamax.com.br

