Saneamento transforma rotina da Aldeia Marçal de Souza em Campo Grande

Saneamento transforma rotina da Aldeia Marçal de Souza em Campo Grande

O saneamento mudou a rotina das famílias da Aldeia Indígena Marçal de Souza, em Campo Grande. Antes da instalação das redes de água e esgoto, moradores precisavam caminhar até a Rua Marquês de Pombal para buscar água em baldes.

Saneamento transforma rotina da Aldeia Marçal de Souza em Campo Grande
Alcides foi um primeiros moradores na Aldeia Marçal de Souza e reconhece o valor da infraestrutura de água e esgoto para a preservação da comunidade. (Foto: Vinicios Araújo, Midiamax)

Criada em 1996, a comunidade reúne atualmente 612 habitantes, distribuídos em 147 casas e 233 famílias. O acesso à água canalizada e ao saneamento é apontado pelos pioneiros como um dos principais marcos do desenvolvimento do local.

Saneamento transforma rotina da Aldeia Marçal de Souza em Campo Grande
Gecilda e Ruth reconhecem o valor da infraestrutura de água e esgoto para a criação dos filhos na Aldeia Marçal de Souza. (Foto: Vinicios Araújo, Midiamax)

A realidade da aldeia urbana contrasta com a escassez de água enfrentada por comunidades originárias no interior de Mato Grosso do Sul, como a Reserva Indígena de Dourados, citada em reportagem sobre obras para ampliar o abastecimento.

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Trabalhadores da concessionária Águas Guariroba levam desenvolvimento aos bairros com ampliação das redes. (Foto: Divulgação)

Moradores relembram busca por água

Marilda Mendes Santos vive na comunidade desde a fundação e recorda que precisava conciliar o trabalho como empregada doméstica com a busca por água para a própria casa. Segundo ela, eram necessários quatro tambores transportados em um carrinho de mão.

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Garantia de infraestrutura contribui para preservar tradições na Aldeia Marçal de Souza. (Foto: Vinicios Araújo, Midiamax)

“Trabalhava o dia todo, enchia as vasilhas de água e vinha pra casa pra trabalhar mais um pouquinho”, relembra. Marilda conta que via água saindo da torneira na casa onde trabalhava, enquanto, em sua residência, o recurso precisava ser carregado em baldes, sob sol ou chuva.

Saneamento transforma rotina da Aldeia Marçal de Souza em Campo Grande
Garantia de infraestrutura contribui para preservar tradições na Aldeia Marçal de Souza. (Foto: Vinicios Araújo, Midiamax)

Para a moradora, o serviço canalizado, operado pela concessionária Águas Guariroba, trouxe melhores condições para a criação dos filhos e netos.

Infraestrutura ajudou a dar estabilidade à comunidade

Alcides de Souza, de 75 anos, está entre os primeiros moradores da aldeia e vive no local há 33 anos. O aposentado, que trabalhou como armador na construção civil, lembra que as famílias começaram em acampamentos improvisados, sem água e com pouca estrutura.

Saneamento transforma rotina da Aldeia Marçal de Souza em Campo Grande
Cacique destaca papel da água e do esgoto na melhoria de vida da população indígena de Campo Grande. (Foto: Vinicios Araújo, Midiamax)

“Naquela época não tinha água, não tinha nada, era barraco, chuva, frio. E a lida corrida, difícil”, afirma. De acordo com Alcides, havia apenas uma torneira na avenida, de onde os moradores levavam água em baldes até as casas.

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Ruth chegou há pouco tempo com o esposo e as filhas em Campo Grande, encontrando na Aldeia Marçal de Souza um lar completo para as necessidades da família. (Foto: Vinicios Araújo, Midiamax)

A instalação das redes subterrâneas de água e esgoto, segundo ele, contribuiu para a permanência e a estabilidade das famílias na comunidade.

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Na escola localizada no coração da Aldeia Marçal de Souza, o acesso à água garante qualidade de aprendizado do ensino regular e das origens do povo terena. (Foto: Vinicios Araújo, Midiamax)

Água encanada reduziu dificuldades na infância

Gecilda Candelária, de 33 anos, cresceu na Aldeia Marçal de Souza e acompanhou as mudanças na infraestrutura. Mãe de dois filhos, de 13 e 10 anos, ela afirma que a falta de rede encanada exigia trabalho manual constante e expunha crianças a problemas relacionados à qualidade da água.

Edna Silva de Souza
Edna Silva de Souza, filha do líder indígena que dá nome à aldeia saneada em Campo Grande, lamenta a realidade vivida em seu próprio território. (Vinicios Araujo, Midiamax)

“Foi muito esforço também de cacique, atrás de um saneamento pra nós, de água potável limpa pra gente”, declara. Gecilda relata que muitas crianças adoeciam por causa da água e que hoje as famílias conseguem utilizá-la diretamente nas próprias casas.

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Obras em Dourados iniciaram neste ano e prometem levar dignidade às torneiras das famílias indígenas. (Fotos: Victor Arguelho, Comunicação Vice-governadoria)

A moradora também relaciona a chegada da infraestrutura à maior atenção com a limpeza das casas e à prevenção de problemas como a dengue.

Links e documentos citados

Fonte: midiamax.com.br