Neno Razuk é incluído na lista da Interpol após decisão judicial em MS

O ex-deputado estadual Roberto Razuk Filho, conhecido como Neno Razuk, teve seu nome incluído na difusão vermelha da Interpol, conforme decisão publicada nesta terça-feira (28) no Diário da Justiça. A determinação foi feita pela 4ª Vara Criminal de Competência Residual, que indicou a possibilidade de que o ex-parlamentar esteja fora do Brasil.

A decisão solicita à Polícia Federal (PF) que adote as providências necessárias para a inclusão do mandado de prisão preventiva contra Neno na lista da Interpol, visando sua captura internacional. O mandado de prisão é parte de uma ação penal em que o ex-deputado é acusado de promover, financiar ou integrar organização criminosa.

A defesa de Neno, representada pelo advogado Ricardo Souza Pereira, foi contatada sobre os indícios de que ele estaria fora do país, mas não se manifestou até o fechamento desta matéria. Anteriormente, o advogado havia informado que Neno aguardaria o julgamento de um habeas corpus antes de decidir se se entregaria às autoridades. O pedido de habeas corpus foi negado liminarmente, e a análise pela 1ª Câmara Criminal está prevista para setembro.

Contexto da Difusão Vermelha

A difusão vermelha, ou Red Notice, é um alerta de alta gravidade emitido pela Interpol, que, após a aprovação da sede da organização em Lyon, na França, faz com que as informações sobre Neno sejam compartilhadas com 196 países. Isso inclui dados como nome, foto, informações de passaporte e impressões digitais, que serão integradas aos sistemas de imigração.

Caso Neno tente atravessar uma fronteira, os sistemas emitirãm um alerta para as autoridades locais, permitindo que procedimentos para sua prisão e eventual extradição sejam iniciados.

Acusações e Operação Successione

Neno Razuk foi denunciado por liderar um esquema de jogo do bicho em Mato Grosso do Sul, sendo este um desdobramento da Operação Successione, iniciada em dezembro de 2023 pelo Gaeco/MPMS. A operação visa desarticular um grupo criminoso que explorava o jogo ilegal na capital do estado.

Na primeira fase da operação, dez pessoas foram alvos de investigação, incluindo o ex-deputado. A apuração começou após registros de roubos de malotes de grupos rivais, onde duas vítimas reconheceram um sargento da PMMS como autor de um dos crimes.

Neno sempre negou qualquer envolvimento nas atividades ilícitas, afirmando que acredita que a investigação demonstrará sua inocência. Para o Gaeco, o grupo atuava com violência para dominar o mercado, mesmo após a apreensão de 700 máquinas em um local no bairro Monte Castelo, em outubro de 2023.

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