Resíduos de disparo de arma de fogo encontrados na mão do médico João Jazbik Neto, de 78 anos, foram fundamentais para que a Polícia Civil refutasse a tese de suicídio apresentada pela defesa. O laudo pericial complementa as informações contidas no diário da fisioterapeuta Fabiola Marcotti, de 51 anos, que relatou uma rotina de medo e violência antes do crime.
Durante a investigação, as autoridades reuniram análises das armas apreendidas na residência, bem como o confronto balístico de um projétil encontrado no local e os vestígios na cena do crime. Essas evidências levaram a Polícia Civil a concluir que Fabiola foi vítima de feminicídio em 18 de maio.
Análise dos vestígios
Um dos exames realizados durante a investigação buscou identificar partículas microscópicas associadas a disparos de arma de fogo nas mãos das pessoas envolvidas no caso. A análise, feita por Microscopia Eletrônica de Varredura (MEV), detectou vestígios de pólvora na mão direita de João Jazbik, indicando que ele havia manuseado uma arma. Por outro lado, não foram encontrados resíduos nas mãos de Fabiola, o que desconstrói a versão inicial de que ela teria se suicidado.

Métodos de identificação de disparos
A técnica utilizada para a identificação de resíduos de disparo é considerada uma das mais precisas. De acordo com o pesquisador da UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul), Guilherme Cioccia Neves, o MEV é o “padrão-ouro” para esse tipo de análise, apresentando alta precisão e uma taxa mínima de falsos positivos.
Esse método permite a análise do formato característico das partículas residuais e, associado ao espectrômetro de energia dispersiva (EDS), confirma a presença de elementos como chumbo, bário e antimônio.
Evidências adicionais
Entre os materiais analisados, estava o revólver Smith & Wesson calibre .357 encontrado na cena do crime. A arma e outras munições apreendidas na residência passaram por perícia. Além disso, um projétil foi encontrado atrás de um quadro e submetido a confronto balístico, revelando que ele foi disparado pela mesma arma.
A análise genética confirmou que o projétil continha vestígios biológicos de Fabiola, indicando que a bala atravessou seu corpo antes de atingir a parede. A trajetória do disparo também foi reconstruída manualmente e com um scanner tridimensional, indicando que o tiro partiu de uma região à frente do sofá.

Reconstrução da cena do crime
Para investigar se Fabiola poderia ter efetuado o disparo, peritos reconstruíram três dinâmicas possíveis para a cena. A análise da trajetória da bala mostrou que o projétil seguiu de baixo para cima e da esquerda para a direita. Cálculos estimaram o ângulo do disparo entre 31,6 e 47,8 graus, sugerindo que a arma estaria a cerca de 40 centímetros do chão, uma posição incompatível com a possibilidade de a vítima estar sentada ou em pé.
Conclusão
A combinação das evidências coletadas e as análises laboratoriais foram determinantes para a reavaliação do caso, levando a Polícia Civil a descartar a hipótese de suicídio e reforçar a tese de feminicídio.
Mais informações
Para mais detalhes sobre o caso, você pode acessar o artigo sobre o diário que revela os pedidos de ajuda de Fabiola Marcotti: ‘Socorro’: diário revela pedido de ajuda de fisioterapeuta assassinada por cardiologista.
Fonte: midiamax.com.br

