Mato Grosso do Sul se prepara para aproveitar uma nova oportunidade no mercado americano, que permitirá a entrada temporária de 300 mil toneladas de carne bovina magra, a partir de setembro. Essa cota, sujeita a tarifas reduzidas, foi anunciada pelo governo dos Estados Unidos e pode beneficiar os frigoríficos sul-mato-grossenses.
A medida visa aumentar a oferta e controlar os preços da carne moída nos EUA. O volume será dividido em três lotes de 100 mil toneladas cada, com prazo de 90 dias para entrega. Os frigoríficos de Mato Grosso do Sul, que já estão habilitados, se encontram em uma posição favorável para competir por esse espaço.

Crescimento nas exportações
Entre janeiro e julho de 2026, o Estado exportou US$ 243,3 milhões em produtos bovinos para os EUA, um aumento de 42% em relação ao mesmo período de 2025, quando as vendas totalizaram US$ 171,3 milhões. O volume também cresceu, passando de 34,5 mil para 41,1 mil toneladas, um incremento de 18,9%.
Esse aumento na receita e no volume indica que o preço médio por tonelada também subiu, de US$ 4,96 mil para US$ 5,92 mil, representando uma alta de cerca de 19%. A carne bovina desossada e congelada é a mais exportada, totalizando US$ 212,9 milhões nos primeiros sete meses de 2026, um crescimento de 36,1% em comparação ao ano anterior.
Desafios e oportunidades
Entretanto, a ampliação da cota não implica a retirada das tarifas sobre a carne brasileira. A nova medida exige que a carne importada seja vendida a 25% abaixo do preço de mercado, o que pode impactar a rentabilidade dos frigoríficos. Segundo Aldo Barrigosse, analista de comércio exterior, Mato Grosso do Sul está preparado para atender à demanda, com a infraestrutura necessária para aumentar as exportações.

Além disso, o mercado americano representa uma oportunidade de diversificação para os produtores, que ainda dependem fortemente da China, principal compradora da carne sul-mato-grossense. As vendas para a China chegaram a US$ 586 milhões de janeiro a julho de 2026, um crescimento de 84% em relação ao ano anterior.
Visão do setor
A Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes reconhece que a nova cota pode ser benéfica, mas alerta para a concorrência acirrada e as limitações impostas pela política de preços. Por outro lado, a Associação Brasileira de Frigoríficos acredita que a abertura de mercado melhora a competitividade da carne brasileira, oferecendo alternativas comerciais relevantes durante o período da cota.
Links e documentos citados
- proclamação da Casa Branca
- Mercado americano abre espaço para mais carne de Mato Grosso do Sul
- Atualiza.MS
Fonte: atualizams.com.br

