Eleição pode alterar câmbio, juros e inflação, avalia análise

Eleição pode alterar câmbio, juros e inflação, avalia análise

A eleição presidencial não muda a situação fiscal herdada pelo próximo governo, mas pode alterar a forma como o mercado avalia o equilíbrio das contas públicas, segundo análise de Bruno Corano. O cenário projetado envolve reações distintas para câmbio, juros, inflação e investimentos caso Lula seja reeleito ou Flávio Bolsonaro vença.

A dívida bruta chegou a 82,9% do PIB em agosto, enquanto o déficit nominal acumulado em 12 meses alcançou 9,48% do PIB. Desse total, 8,86% do PIB correspondem a juros. Mais de 90% da despesa primária federal é obrigatória, o que limita o espaço para ajustes de curto prazo.

Na avaliação apresentada, o mercado já incorporou parte relevante da expectativa de vitória de Flávio. Por isso, uma eventual reeleição de Lula poderia provocar uma correção mais intensa e rápida nos ativos do que a valorização adicional esperada em caso de vitória do adversário.

Projeções para os dois cenários

No cenário de reeleição de Lula, o risco apontado é a continuidade de um ajuste gradual considerado insuficiente para estabilizar a dívida, além do impacto de medidas anunciadas no período eleitoral. Com Flávio Bolsonaro, a direção seria mais favorável ao equilíbrio fiscal, mas haveria risco de distância entre promessas e execução, especialmente se cortes de impostos ocorrerem antes da redução de despesas.

A análise estima que, nas primeiras semanas após a eleição, o dólar poderia ficar entre R$ 5,40 e R$ 5,80 com Lula e entre R$ 4,80 e R$ 5,00 com Flávio. Ao longo de 2027, a moeda americana permaneceria acima de R$ 5,50 no primeiro cenário enquanto não houvesse um plano fiscal considerado crível. No segundo, ficaria abaixo de R$ 5,00 caso o ajuste avançasse no Congresso.

Para a Selic no fim de 2026, a projeção é de 13,75% em caso de reeleição de Lula, com interrupção dos cortes, e de 13,25% se Flávio vencer, considerando reduções de 0,25 ponto em novembro e dezembro. No fim de 2027, a taxa ficaria entre 13% e 14% no cenário de Lula e entre 11% e 11,5% no de Flávio.

Indicadores atuais e reação do mercado

A Selic está em 13,75% ao ano, após o quinto corte seguido, realizado em 16 de setembro. A próxima decisão do Copom está prevista para 4 de novembro. O IPCA acumulado em 12 meses até setembro é de 4,58%, acima do teto de 4,5% e da meta de 3%.

O dólar está em R$ 5,02, enquanto a projeção de mercado para o fim de 2026 é de R$ 5,13. A taxa para janeiro de 2031 está em 12,65%. O déficit primário acumulado em 12 meses é de 0,62% do PIB, e o mercado projeta déficit de 0,40% do PIB em 2027.

Após o primeiro turno, o Ibovespa subiu 7,7% em um pregão, o real se valorizou mais de 4% e a curva de juros recuou mais de 2 pontos percentuais em poucas semanas. Cerca de R$ 18,5 bilhões em capital estrangeiro entraram na Bolsa durante o movimento.

As pesquisas mais recentes citadas na análise indicam empate técnico, com Flávio numericamente à frente por uma margem de 1 a 4 pontos nos votos válidos. O mercado trata o candidato como favorito, com probabilidade próxima de 80%, e os preços dos ativos refletem essa expectativa.

Para o autor, o cenário de vitória de Flávio já é a referência incorporada aos preços. Assim, uma eventual vitória de Lula poderia provocar reação mais abrupta, devido ao volume de recursos posicionados na direção oposta. As estimativas também apontam inflação de 4,8% a 5,3% em 2027 com Lula e de 3,8% a 4,2% com Flávio.

Fonte: fatosregionais.net.br