Entre 2000 e 2020, os distritos de Arapuá e Garcias, apesar do impulso econômico proporcionado pelo setor de celulose, enfrentaram um dramático encolhimento populacional. A população de Arapuá caiu 17%, passando de 1.911 para 1.586 habitantes, enquanto Garcias registrou uma diminuição de 15%, de 2.301 para 1.967 moradores.
Uma pesquisa da geógrafa francesa Marine Dubos-Raoul, professora convidada da UFMS, revela que esse impacto se estende além da economia, afetando diretamente a vida comunitária.
Desaparecimento das Tradições
Por meio de diversas entrevistas com moradores, a pesquisa documentou a perda das tradições que antes uniam a população. Eventos como bailes, quermesses, campeonatos de futebol e festas religiosas foram desaparecendo à medida que as famílias deixavam a zona rural.
Um morador descreve a situação: “Tem dias que você passa lá e parece uma cidade deserta.” Outro relembra que os bailes que duravam até o amanhecer agora deram lugar a ruas vazias antes mesmo da meia-noite.

Mudanças na Paisagem e no Ecossistema
A transformação na paisagem foi drástica. Antigas fazendas, que abrigavam dezenas de famílias de trabalhadores, foram demolidas, e grandes valas foram abertas para enterrar as estruturas, dando espaço para extensos monocultivos de eucalipto e apagando vestígios da história local.
O estudo também capturou a percepção dos moradores sobre as alterações no ecossistema. Espécies nativas como perdizes, jaós e anus tornaram-se raras, enquanto tucanos, araras, papagaios e macacos passaram a invadir os quintais das casas em busca de alimento.
Fechamento de Instituições Locais
O fechamento das instituições locais, como a escola, representou um marco doloroso dessa transição. A escola de Garcias foi desativada em 2018, resultando em um enfraquecimento ainda maior do sentimento comunitário. As crianças da região agora enfrentam longas viagens diárias de ônibus para estudar no distrito vizinho.
A pesquisa e os relatos refletem a profunda transformação vivenciada por Arapuá e Garcias, que não apenas perdeu parte significativa de sua população, mas também sua identidade cultural.
Fonte: fatosregionais.net.br

