Justiça determina afastamento de gestoras da Sesau em Campo Grande após denúncias de assédio

Justiça determina afastamento de gestoras da Sesau em Campo Grande após denúncias de assédio

Duas gestoras da Secretaria Municipal de Saúde (Sesau) de Campo Grande devem ser afastadas temporariamente em decorrência de denúncias de assédio moral. As profissionais ocupavam cargos de direção e gestão de pessoal no Centro de Atenção Psicossocial (CAPS) Infantojuvenil III e na Coordenadoria da Rede de Atenção Psicossocial (CRAP).

A decisão foi tomada após um pedido de tutela de urgência do Ministério Público do Trabalho em Mato Grosso do Sul (MPT-MS), que apontou práticas reiteradas de assédio moral, tanto interpessoal quanto institucional, afetando o ambiente de trabalho e comprometendo a prestação de serviços a crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade mental.

As gestoras deverão ser afastadas de funções que envolvem poder de direção, gestão de pessoal e elaboração de escalas, entre outras atribuições. A liminar também exige medidas para prevenir represálias, a instauração de um procedimento administrativo para apurar os fatos e a comunicação da decisão a todos os colaboradores das unidades envolvidas.

Relatos de abuso de poder

Os relatos apresentados pelo MPT-MS incluem práticas sistemáticas de abuso do poder diretivo, com ameaças de rescisão contratual contra servidores que questionaram ordens consideradas abusivas. Além disso, foram mencionadas situações de discriminação e perseguição contra profissionais afastados por motivos de saúde.

Conforme a ação, houve ainda relatos de humilhações públicas, cobranças excessivas fora do horário contratual e alterações de plantões de forma punitiva. O juiz Marco Antonio de Freitas, da 3ª Vara do Trabalho de Campo Grande, avaliou que a situação exigia intervenção imediata para proteger os direitos fundamentais dos trabalhadores.

Medidas adicionais e garantias

Além do afastamento, a Justiça determinou que o Município não pratique ou tolere atos de retaliação e constrangimento contra trabalhadores que prestaram declarações ou atuem como testemunhas no processo judicial. Também foi imposto que se abstenha de qualquer tratamento degradante ou humilhante aos colaboradores.

A decisão, proferida em 1º de outubro de 2026, visa não apenas proteger os direitos dos trabalhadores envolvidos, mas também garantir a integridade do serviço público de saúde em Campo Grande.

Links e documentos citados

Fonte: midiamax.com.br