A Operação Ifrit investiga uma organização criminosa com atuação internacional e presença suspeita na fronteira entre Ponta Porã, em Mato Grosso do Sul, e Pedro Juan Caballero, no Paraguai. Deflagrada nesta quarta-feira (4), a ação apura tráfico de drogas e armas, lavagem de dinheiro, corrupção e episódios de violência.
A ofensiva mobilizou 450 policiais federais, 22 auditores-fiscais e sete analistas tributários da Receita Federal. Ao todo, foram expedidos 76 mandados de busca e apreensão, 25 de prisão preventiva e um de prisão temporária. Também foram determinadas três medidas de monitoramento eletrônico e o afastamento de três policiais civis.
As medidas foram autorizadas pela 3ª Vara Federal de Campo Grande e cumpridas em Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, São Paulo, Paraná, Goiás, Rondônia e Santa Catarina. Segundo a investigação, o grupo teria movimentado mais de R$ 500 milhões em dois anos.

Investigação aponta estrutura familiar e atuação internacional
A apuração indica que drogas e armas adquiridas na Bolívia, no Peru e no Paraguai entravam no Brasil pela região de fronteira para abastecer outros estados. Parte dos entorpecentes também teria como destino a Europa, especialmente Espanha e Portugal.
De acordo com os levantamentos, a organização seria comandada por três irmãos, com participação de filhos e outros parentes. As funções teriam sido divididas entre movimentação financeira, logística, transporte de cargas ilegais e segurança armada.
Análises bancárias, fiscais e patrimoniais identificaram o uso de contas de investigados e operadores financeiros, empresas sem atividade real, negócios simulados e pessoas usadas para ocultar os verdadeiros proprietários dos bens.
Bloqueio de bens e suspeita de apoio policial
A Justiça autorizou o bloqueio de até R$ 300 milhões, além do sequestro de aproximadamente 160 imóveis e mais de 150 veículos. Onze suspeitos apontados como lideranças ainda poderão ser transferidos preventivamente para presídios federais.

A Polícia Federal também apura a possível colaboração de agentes públicos. Entre os suspeitos estão integrantes das polícias Civil e Militar de Mato Grosso do Sul e um policial rodoviário federal, que teriam fornecido informações reservadas ou apoio às atividades ilegais.
A investigação aponta que o grupo teria utilizado veículos blindados, armamentos de elevado poder ofensivo, drones, equipamentos de comunicação e imóveis para abrigar homens armados. O aparato seria usado para proteger lideranças, vigiar áreas estratégicas e dificultar ações policiais.
A Operação Ifrit começou a partir de provas compartilhadas por outro procedimento. As autoridades afirmam que a organização atuava de forma permanente pelo menos desde 2018. As apurações continuam para definir a participação de cada investigado, localizar bens e rastrear conexões financeiras e internacionais. Os envolvidos são tratados como suspeitos e têm direito à defesa.
Links e documentos citados
Fonte: atualizams.com.br

